Peça: ao Rei

ATO I

Bravo Quintana que ja te serviu
Desprazer do amor no telegráfico fio
Um dia servindo de arma pra me desfazer
Chorou na tempestade o escárnio do ser

Nesta estirpe que ja te adornou
Sofri, mera proteção
Ilusão do possessivo sentimento laureado amor

ATO II

Dissequei-me, esfaquiei-te,
vingando-me do tempo
Inconsequente sub-consciente
que sempre volta à ferir-me

E nas voltas do aparente
enigmático desencadeamento
Bem me visto neste trapo sublime

Diferenciando do epígrafe da morte
que tenta iludir-nos
Não, não é a mesma pessoa
Não, não é a mesma dor

As letras dessa vez são para o papel...

ATO III

Fechado nos Castelas Oscarianos
Não pode ler
Tempo se esgota, inútil papel
Talvez pelo paradigma do fim
Infinito

Correto? Discurso na missa fúnebre
Cremando no luto de quem te desfez
A plebe sempre deseja derrubar o Rei
Será a verdadeira razão em que me vestirei

Pode ser complementado
em repetidos orgamos de raiva

Que como sempre venha do outro lado
puxando a corda feroz
Imcompressível carrasco atroz
movendo o leito equilibrado

Ou será somente o fim
e em russo tenha pena de mim

Mas nesta míope visão
em outras batalhas ja profanadas
O tempo algoz do vilão
mais uma vez da morte é culpado

ATO IV - FINAL

Na foto de tua caçula
parecia prever teu futuro
Futuro que hoje é presente
mas que muito tem de passado

Entenda-me de uma vez por todas
não posso pedir pra parar
Mas sabes porque ja me disses
Castelos de areia pertences ao mar

Não posso, nem quero ofender-ti
pois todos os meus ja traguei
A alegria e o prazer efêmero
o tempo levou sem perdão

Arranco do peito o que foi prazer e hoje é dor
Te dou de bandeja, se não levarão
Matando e morrendo nesta batalha diária
Carregando e sofrendo com a ditadora indumentária

Morri, inexisto, contraditório vazio
Matarei, suicídio, indexorável fio