Sempre morto

"Ser feliz é viver morto de paixão." V.M.

Água e o Sino


pulso inesperado
vontade incontrolável
sozinho arduo humano
caminho demorado

no colorido dos teus olhos
o sertão vira mar
cacto vira coral
água deste vital

na tua pele alva
primordial pelo alvo
fado, sorte, destino
incontrolável raciocinio

infortuito longe perto
nasço e morro
dependendo da posição
estado, estando, estagnação

natural no estado de ser
divindade no sentido prazer
incompreensível imensidão
quiçá entenderá o temporão

casca dura da fruta cerrada
proteção desnecessária
dolorida defesa repassada
no amago minha esperança libertária

dor de tão longe estar,compensada na felicidade de cada momento vivido com ti, na esperança de um dia te ter e a certeza de ter/ser o maior, mais uma vez o sino toca, a(s)sina.

Gangorra

Quando se é criança só queremos brincar. Queremos e podemos. Brincar de tudo. Depois de adulto a única brincadeira é brincar com os outros, brincar com a vida dos outros. Muitas vezes é bom principalmente quando o outro está brincando também, vira brincadeira de criança esconde-esconde, pega-pega, gato e rato.
Mas aí reside um grande perigo, se está brincando sozinho o outro personagem que faz parte da brincadeira vai com certeza se aborrecer, machucar, ferir e você tambem. Todos na vida ja brincaram ou foram brincados.
Quando a brincadeira vai alem da pura e simples brincadeira a metáfora brinquedológica destas relações é uma gangorra.
A gangorra é a representação do amor relacional e simplesmente porque o sentimento leva consigo intrínseco um peso que é jogado de um para o outro. O amante tem que carregar o peso de seu amor e o amado se aceita, carrega este peso. O peso desequilibra pra um e pra outro lado.
Na gangorra é assim para poder subir e descer temos que aceitar o peso do outro, maior ou menor e forçarmos o nosso maior ou menor para que crie uma variação da energia causando o movimento. Quando se está em cima a energia potencial é máxima você esta no topo, no ápice do sentimento, sente-se livre com toda a energia do mundo sente-se voando, sem os pés no chão, frio na barriga e é o ponto de maior risco. Cair de lá de cima é uma bela queda que pode ocasionar muitos machucados, lesões e até a morte.
Mas o outro esta em baixo, seguro, sem riscos, mas sem a sensação de estar voando, sem a emoção do sentimento. Seu único prazer vem da vaidade de conseguir controlar o outro. Esta voando? Sou eu quem estou fazendo voar. Mas para a diversão sublime não é o bastante temos que voar pra sentir o prazer de voar.
Simples brincadeira de criança ? Nem tanto, muitos não conseguem ou simplesmente não querem voar. Talvez por tantas quedas, tantos machucados que deixaram cicatrizes ou talvez por criarem peso, aceitarem peso. Com todo esse peso só conseguem ficar na parte de baixo e se bastam no prazer de fazer os outros voarem, e não interessa quem voa só tem que ter alguém voando. Como toda a verdade só vem de nós mesmos só vai entender quando necessitar voar. Acha que todo o peso que carrega consigo da vida, dos acasos, da sua história é o que impede de voar. O medo de altura é o principal controlador, algumas vezes sobe porque a vontade de voar é incontrolável, mas quando passa a vontade se planta no chão com todo seu peso e não entende que pra voar não importa o peso só tem que entrar no ritmo do movimento. Aceitar voar e fazer voar.
"Pessoas do mundo amai-vos!"

http://www.youtube.com/watch?v=DaEw5wLzUSs&feature=PlayList&p=AF4A0C2FAED71954&index=0&playnext=1