Pensamentos mecânicos - Grande ABC

"amor.tece.dor"

Precipitação

Frio nebuloso da metrópole. Como sempre a fina garoa contempla o estado gripal. Mais um dia pra morrer. Ingerir vitalmente o necessário, ingerir o sentimentalmente desnecessário. A vida não é fácil! Frase dífcil de ser entendida, fácil de ser vivida, falta dos necessários recursos, relação direta com a restrita gama de opções. Falta à liberdade. O frio, a touca, a barba tudo nos torna ameaça. Ameaça ao estado! Estado político, social e jurídico, definido em um território. Estado termodinamico definido pelo conjunto de propriedades. Estado condicionado ao tempo, físico, psicológico. No farol o estado estático dos veículos leva ao estado de tensão, e uma trava na sua inexorável função, trava! Estado de alerta, a falta cria a necessidade, e o estado de choque disposto. Disposição de mudar, alterar, sempre há algo para mudar, ou tudo.

"Mas nada disso é necessário."

Temperatura, pressão e volume especifíco, o estado é determinado internamente. O meio, há o meio, no meio de tudo o estado, e o meio é só o agravante, a água na troca de estado não cessa mas não é intensa como o meio. O meio esta em contato,recebe e fornece energia, mas deveria esfriar, inconsequentemente só faz aumentar. Estado febril do corpo, estado terminal da alma. Alma que pena num mundo desconstruido, individualmente forjado. Deterioração e destruição, o tempo implacavel é frio e úmido. A contra-posição do estado significando esperança. Esperança de perder a cabeça, de perder os pés, de perder a vida e conseguir a sua. Mas uma vez foi em vão, a água que castigou e debilitou um pouco mais. Voltando pro nada, o tempo é menos cinza, as paredes são brancas, coloridas, pintadas, desenhadas. Devaneio sonambulo de cada dia, que nos arrasta pra total monotonia e que faz deste doente. A falta ainda existe e existira. Parece que nada vai mudar. Mais um ciclo que se completara. A gripe é só passageira e tudo voltará ao estado normal. A dor, a flor e o punhal. A sina do mal.