Funcionário do mês

A obrigação de fazer algo para pessoas que acham que são libertas de qualquer controle sempre é um dilema. Discuto comigo mesmo, fico puto comigo mesmo, mas de nada adianta porque no final sempre tenho que fazer o que precisa ser feito. A verdadeira guerra está nesses conflitos diários, horários, instantâneos... Mas a melhor maneira de fazer o que precisa ser feito é fazer!

Tento chamar alguém pra dividir a responsabilidade de ter algo a fazer, mas na vida sempre estamos sozinhos mesmo com companhia estamos sozinhos.

Alguém está disposto a fazer uma pequena viagem.

"- Metrô, estação Sé. Metrô estação Parque Dom Pedro II..."

Destino, o inexplicável dos acontecimentos juntando as coincidências. Não foi só mais uma ilusão mais uma vez fui enganado e como sempre sigo sozinho. Na estrada dos acontecimentos prefiro assimilar os caminhos à somente a estrada. Estrada leva de um ponto ao outro só o meio para que chegue em seu objetivo final, caminhos não, é a passagem e a vivencia de todo o percurso não interessando muito o objetivo e o ponto final, mas sim o percurso.

Jabaquara, já foi indígena hoje é terminal. Terminal de estado terminal de fim de linha é assim que sentimos quando não vemos mais saída em um terminal esperando um ônibus para te levar a outro lugar, talvez outro terminal, talvez outro ponto, talvez um meio... Tudo me faz pensar em algo, vontade de ir ao banheiro, banheiro pago um real. Que absurdo terminal rodoviario publico e o banheiro é pago! Pago e como em tudo me indigno, mas não tem solução somente aceitação.

"- Ta faltando grana?
- Só tenho 25 centavos...
Um real !
- O... valeu cara você é igual a mim... vou te agradecer..."

Alguns cigarros dados e insistidos depois, alguns lamentos da vida e ja me sentiam mais próximo ao estranho do que da maioria das pessoas intimas dessa vida. Pedia pra eu parar de fazer algo errado que disse que fazia de vez em quando, e o mais engraçado as palavras de um estranho teve mais força do que todas as outras, de todas as outras pessoas que de alguma maneira acham que se importam comigo. E pelo simples fato de que não havia pudor, não havia amor, era só um sentimento de admiração do ser humano. Um verdadeiro e puro amor, sem o carnal, sem o paternal, sem o matriarcal que sempre acabamos nutrindo pelas pessoas que nos envolvemos. Suas palavras:

"- Fuma um, mas nunca mais cheira na vida não!! Isso é uma merda!!"

Não era uma repressão, julgamento ou qualquer coisa do gênero, era uma vontade sincera de que o outro viva, vi nos seus olhos, no abraço de adeus e na despedida de grandes amigos, que acabaram de se conhecer, que o mais provável é que nunca mais se vejam, mas que de alguma maneira sentiram o que de mais importante em relações existem, a entrega. A entrega de verdade, do que cada um é sem necessidade de suprir expectativas, sem medo de não ser aceito, simplesmente sendo cada um.

Viajei, por uma pouca hora, mais uma vez sozinho e tudo que aconteceu me fez pensar, estou cansado. Estou cansado de tanta coisa, que nem sei onde tudo começou, mas uma destas coisas é que estou cansado de ser o funcionário do mês do Mc Donald´s. Não quero mais ser especial pra ninguém. Não quero mais ser olhado como alguém especial. Não sou especial. Ninguém é especial. Quero relações especiais. Com todos. Com meus amigos. Com os desconhecidos. Não quero que esperem nada de mim. Nem de bom, nem de ruim. Mas não posso controlar o que os outros querem ou esperam. O caminho é o inverso. Não posso me preocupar com o que os outros esperam. Só posso escolher e escolho não ser especial. Sou eu.